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domingo, 13 de setembro de 2026Ao vivo
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Queda de energia em temporal: o que fazer antes, durante e depois

Queda de energia em temporal é rotina em Curitiba de outubro a março, e o prejuízo maior não vem do escuro, vem do que queima quando a luz volta.

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queda de energia em temporal

Um casal do bairro Portão, em Curitiba, perdeu a geladeira, o roteador e a placa do portão eletrônico numa noite de janeiro. Não foi o vento nem o raio que queimou os aparelhos: foi a energia voltando, três vezes seguidas, em intervalos de segundos, enquanto tudo continuava ligado na tomada. Ficaram quarenta minutos no escuro sem pensar em desligar nada. O prejuízo passou de quatro mil reais. Dois meses de protocolo depois, a distribuidora ressarciu a geladeira, porque o casal guardou o laudo da assistência.

A queda de energia em temporal é a interrupção causada por vento derrubando galho em rede, descarga atmosférica em transformador ou alagamento de subestação, e o dano aos aparelhos costuma vir do religamento, quando a tensão volta instável ou em picos. O escuro em si é só inconveniente. Queima o compressor da geladeira tentando partir com tensão baixa, a fonte do roteador recebendo surto e a placa eletrônica do portão levando a sobretensão do raio pela rede. Prevenir é desligar antes e proteger depois.

Este texto mostra o que fazer nos três momentos: na aproximação da chuva, durante o apagão e no religamento. Traz quais aparelhos correm mais risco, o que instalar no quadro e nas tomadas, como o ressarcimento da distribuidora funciona e o que ele exige, quanto custa se proteger e os erros de esperar a luz voltar com tudo ligado.

Aqui estão o antes, o durante, o religamento e a tabela comparativa. Entram os aparelhos em risco, os dispositivos de proteção, o ressarcimento, o descuido de deixar tudo ligado, a ordem para se preparar, os custos e as dúvidas mais frequentes.

Queda de energia em temporal: o que fazer antes

Quando o céu escurece e o vento aumenta, o gesto que mais protege é tirar da parede o que tem placa eletrônica e motor: geladeira, freezer, ar-condicionado, televisão, computador, roteador, micro-ondas e o portão. Não basta desligar no botão; a fonte continua ligada à rede. Quem tem disjuntor geral pode desligar só os circuitos das tomadas, mantendo a iluminação. Carregar celular e lanterna antes é o resto do preparo, e leva dois minutos.

No Portão, o disjuntor das tomadas hoje cai assim que o aplicativo de tempo avisa chuva forte. O casal aprendeu caro.

Durante e no religamento

No escuro, nada de vela perto de cortina e nada de gerador dentro de casa ou na garagem fechada, porque o monóxido mata. O momento crítico é o religamento: em temporal, a rede volta e cai de novo várias vezes enquanto as equipes isolam o trecho danificado, e cada volta traz um pico. A regra é esperar um quarto de hora com a energia estável antes de religar os aparelhos, começando pela geladeira e deixando o ar-condicionado por último, porque o compressor é o que mais sofre com partida em tensão baixa.

Depois do temporal, vale ter à mão um eletricista de confiança para revisar o quadro e o aterramento. O diretório de instaladoras e empresas de energia em Curitiba lista mais de 11 mil empresas do setor na capital paranaense, com filtro por segmento, como instaladora elétrica, engenharia e solar, e indicação das que têm registro verificado na ANEEL. Foi por uma lista dessas que o casal achou quem instalou o dispositivo de proteção contra surto no quadro.

Comparativo entre as proteções

O que cada proteção faz e contra o que ela não protege.
ProteçãoProtege deNão protege de
DPS no quadroSurto de raio pela rede.Tensão baixa prolongada.
Filtro de linha de verdadePico pequeno no ponto de uso.Raio direto e subtensão.
Protetor de geladeiraPartida em tensão baixa e religamento rápido.Surto forte.
NobreakQueda e oscilação em eletrônicos.Motores e alta carga.

Os aparelhos que mais queimam

Geladeira e freezer lideram, porque o compressor tenta partir com a tensão ainda subindo e o motor trava. Vêm depois roteador, modem e televisão, com fontes sensíveis a surto. Placas de portão, de ar-condicionado inverter e de máquina de lavar completam a lista. Lâmpada, chuveiro e ferro quase nunca queimam, porque são resistências sem eletrônica. O que decide não é o preço do aparelho, é se ele tem placa ou motor ligado à rede no momento do religamento.

Os dispositivos de proteção

O dispositivo de proteção contra surto instalado no quadro de entrada, o DPS, desvia para o aterramento a sobretensão que entra pela rede num raio, e custa pouco em relação ao que protege. Exige aterramento em ordem, que muitas casas antigas não têm. No ponto de uso, o protetor de geladeira segura a partida do compressor até a tensão estabilizar, e o filtro de linha de verdade, não a régua comum, absorve picos pequenos. Nobreak vale para computador e roteador. Nenhum substitui desconectar tudo quando a chuva chega.

Ressarcimento pela distribuidora

A regra da agência reguladora obriga a distribuidora a ressarcir dano elétrico em aparelho causado por perturbação na rede, desde que o consumidor peça em até três meses, informe quando aconteceu e não conserte o aparelho antes da vistoria. A empresa tem prazo para vistoriar e responder, e paga conserto ou valor do bem quando reconhece a causa. Laudo de assistência técnica atestando dano elétrico, nota fiscal e o número do protocolo da queda são o que faz o pedido prosperar. Sem eles, a negativa é a regra.

O descuido de deixar tudo ligado

O erro mais comum é esperar a luz voltar com todos os aparelhos ligados, como fez o casal, e receber o pico no religamento. Vem depois religar a geladeira no primeiro segundo de luz, antes de a tensão estabilizar. Segue consertar o aparelho antes de abrir o pedido de ressarcimento, o que anula a vistoria. Fecha a lista ligar gerador em área fechada. O primeiro custa aparelhos; o último custa vidas.

Em ordem, para se preparar

  1. Instalar o DPS na entrada, com aterramento revisado por eletricista registrado.
  2. Colocar protetor na geladeira e no freezer, e filtro com proteção nos eletrônicos.
  3. Na chegada da chuva forte, desligar o disjuntor das tomadas ou tirar os aparelhos da parede.
  4. Com a luz de volta, aguardar quinze minutos estáveis e religar um aparelho por vez.
  5. Se algo queimar, anotar o momento, guardar o aparelho sem consertar e abrir o pedido dentro de 90 dias.

O passo cinco foi o que devolveu ao casal o valor da geladeira, dois meses depois.

Quanto custa

O DPS para residência custa entre R$ 60 e R$ 200 a peça, mais a instalação por eletricista, de R$ 150 a R$ 400, que sobe se o aterramento precisar ser refeito. Protetor de geladeira fica entre R$ 40 e R$ 90; filtro com proteção, de R$ 80 a R$ 250; nobreak pequeno, de R$ 400 a R$ 900. Tudo somado, uma casa se protege por menos de R$ 1.500, contra os quatro mil que o casal do Portão perdeu numa noite.

Perguntas frequentes sobre o apagão

Queda de energia em temporal queima os aparelhos?

A queda em si, não. Quem queima é o religamento, com tensão instável e picos, enquanto os aparelhos continuam ligados.

O que desligar primeiro?

Geladeira, freezer, ar-condicionado, televisão, computador, roteador e portão eletrônico. Tudo o que tem motor ou placa eletrônica.

Quanto esperar para religar?

Uns quinze minutos com a luz estável. Geladeira primeiro, ar-condicionado por último.

O DPS resolve tudo?

Não. Ele desvia surto de raio, mas não protege de tensão baixa prolongada nem substitui desconectar os aparelhos.

A distribuidora paga o aparelho queimado?

Paga, se o pedido for feito dentro de 90 dias, com o momento da queda, laudo de dano elétrico e o aparelho sem conserto até a vistoria.

Posso usar gerador dentro de casa?

Nunca. Nem na garagem fechada. O monóxido de carbono mata sem cheiro. Gerador fica do lado de fora, longe de janela.

Resumo

Queda de energia em temporal não queima aparelho; o religamento queima. Tirar da parede o que tem motor e placa quando a chuva chega, esperar uns quinze minutos estáveis na volta da luz e religar um por vez evita a maior parte do prejuízo. DPS no quadro, protetor na geladeira e filtro de verdade cobrem o resto por menos de R$ 1.500. Se algo queimar, a distribuidora ressarce quando o pedido entra no prazo, com laudo e sem conserto prévio. O casal de Curitiba perdeu quatro mil numa noite e recuperou só a geladeira.

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