Dólar sobe com petróleo e tensões no Oriente Médio
O dólar opera com volatilidade nesta quarta-feira (8), e tinha um avanço de 0,08% perto das 12h10, cotado a R$ 5,1565. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, operava em queda de 0,92% no mesmo horário, aos 170.445 pontos.
A nova escalada das tensões no Oriente Médio fica no centro das atenções nesta quarta-feira. Na segunda-feira (6), dois navios comerciais e um petroleiro foram atingidos por mísseis na região do Estreito de Ormuz, segundo a agência marítima britânica UKMTO. De acordo com o site americano Axios, o bombardeio foi feito pelo Irã. Em resposta, os Estados Unidos atacaram mais de 80 alvos militares no país.
Os ataques voltam a levantar questionamentos sobre a efetividade do cessar-fogo acordado entre Washington e Teerã e aumenta preocupações sobre uma nova interrupção no tráfego pelo Estreito, afetando os preços do petróleo.
Na agenda econômica, o destaque fica com a ata da última reunião de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve (Fed). O documento, previsto para ser divulgado durante a tarde, deve trazer sinais mais claros sobre a política de juros do novo presidente da instituição, Kevin Warsh.
O dólar acumula queda de 0,31% na semana, de 0,21% no mês e de 6,13% no ano. O Ibovespa acumula queda de 1,18% na semana, estabilidade no mês e alta de 6,76% no ano.
Tensões no Oriente Médio afetam os preços do petróleo
O cessar-fogo acordado entre Estados Unidos e Irã voltou a ficar no centro das atenções, após dois navios comerciais e um petroleiro terem sido atingidos por mísseis no Estreito de Ormuz na última segunda-feira (6).
"Um petroleiro informou ter sido atingido por um projétil desconhecido no lado de bombordo, o que provocou um incêndio, enquanto navegava em direção ao sul", escreveu a UKMTO em um comunicado.
Após os ataques, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que o acordo de paz firmado com o Irã "acabou" e que não quer mais diálogo com Teerã. As falas aconteceram durante entrevista a jornalistas em Ancara, capital da Turquia, antes da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
"Para mim, acho que [o acordo de paz] acabou. Eu não quero mais lidar com eles [Irã]. Eles são a escória, são liderados por pessoas doentes e são um povo maldoso e violento. (...) Vou falar com meus negociadores, mas é uma perda de tempo lidar com eles. Até onde eu sei, acabou", afirmou Trump quando perguntado se o acordo teria "morrido".
Na terça-feira (7), o ministro das relações exteriores do Irã, Abbas Araqchi, já havia criticado Trump, afirmando que não haveria mais negociações de paz a menos que o líder americano cesse suas ameaças de reiniciar a guerra. Segundo Araqchi, as declarações violam os termos do memorando de entendimento alcançado no mês passado para suspender a guerra.
Com a escalada das tensões, os preços do petróleo voltaram a subir nesta quarta-feira. Perto das 12h10, o barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 7,44%, cotado a US$ 79,68. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, subia 7,04%, a US$ 75,40 o barril.
Em meio às tensões, os principais índices futuros de Wall Street operavam em queda. Perto das 9h, os futuros do Dow Jones tinham queda de 1,34%, enquanto os do S&P 500 caíam 1,06% e os do Nasdaq Composite tinham perdas de 1,55%.
Na Europa, o dia também era negativo para os mercados financeiros. Entre os principais índices da região, o DAX, da Alemanha, tinha perdas 1,80% no mesmo horário, enquanto o CAC-40, da França, caía 1,75% e o FTSE 100, do Reino Unido, recuava 1,17%.
Já na Ásia, as bolsas fecharam mistas, ainda impactadas pelos papéis do setor de tecnologia e à espera da ata da última reunião do Fed. O CSI 300, que reúne as maiores companhias em Xangai e Shenzen caiu 0,77%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, perdeu 0,49%. No Japão, o índice Nikkei recuou 2,11%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma desvalorização de 5,35% e o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 2,99%.
*Com informações da agência de notícias Reuters.