Columbia House encerra operações após 71 anos

A Columbia House, varejista de mídia que ficou conhecida pelos seus clubes de assinatura de música por correio, vai encerrar as atividades em definitivo no dia 15 de setembro de 2026. Após mais de sete décadas de operação, a empresa vai parar de aceitar novos pedidos e encerrará o negócio restante, focado na venda de DVDs e Blu-rays. A decisão marca o capítulo final de uma marca que dominou uma parcela relevante do mercado de mídia física nos Estados Unidos e influenciou a forma como gerações de consumidores compravam música e filmes.
A origem da Columbia House remonta a 1955, quando a Columbia Records, então parte da CBS, lançou o Columbia Record Club como um serviço experimental de vendas por catálogo. O objetivo era atender clientes em áreas rurais e suburbanas que não tinham acesso fácil a lojas de discos. Os primeiros membros recebiam ofertas promocionais com álbuns grátis ou com desconto, em troca do compromisso de comprar um número determinado de títulos adicionais. O modelo deu certo: em um ano, o clube já tinha centenas de milhares de membros e vendia milhões de discos. As operações foram transferidas para um centro de distribuição em Terre Haute, Indiana.
Nas décadas seguintes, a empresa expandiu para novos formatos, como fitas cassete, cartuchos 8-track e CDs. No auge, em meados dos anos 1990, a Columbia House tinha cerca de 16 milhões de membros e, junto com a rival BMG Music Service, respondia por uma parcela expressiva das vendas de CD nos EUA. A receita anual chegou a US$ 1,4 bilhão. A empresa também entrou no mercado de vídeo, com fitas VHS, DVDs e Blu-rays.
A propriedade da Columbia House mudou de mãos várias vezes. A Sony adquiriu a CBS Records no final dos anos 1980. Em 1991, a Sony formou uma joint venture com a Time Warner. O Blackstone Group comprou uma participação majoritária depois. Em 2005, a BMG assumiu o controle. Três anos depois, o grupo Najafi comprou o negócio e o renomeou como Direct Brands. As operações do clube de música terminaram em 2009, com o avanço do download digital e do streaming. A empresa continuou como clube de DVD e Blu-ray. As operações no Canadá fecharam em 2010. Em 2015, a controladora entrou com pedido de recuperação judicial (Chapter 11). Os ativos restantes foram comprados por John Lippman, por meio da Edge Line Ventures. A Sony Music Entertainment ainda é dona da marca Columbia House, licenciada para a Edge Line Ventures.
Apesar de ter sobrevivido como vendedor online de DVDs com catálogo limitado, o mercado de mídia física seguiu encolhendo com o streaming. O estoque diminuiu e o número de clientes caiu. Após 15 de setembro de 2026, a Columbia House não aceitará mais pedidos. As obrigações existentes serão cumpridas durante o encerramento gradual das atividades.
O fim da empresa encerra um capítulo marcante na cultura de consumo americana. Por décadas, anúncios oferecendo vários álbuns por um centavo ou um dólar apareciam em revistas, jornais e na TV. Famílias montaram coleções inteiras pelo sistema de venda por correio. A prática de cobrança automática de títulos não solicitados (negative option) virou um assunto amplamente discutido. Apesar das críticas, a ideia de acesso fácil e com desconto ajudou a popularizar a música gravada e o vídeo caseiro em escala nacional.
O site da Columbia House ainda lista uma pequena seleção de títulos, mas a data limite indica o fim das vendas ativas. A marca que já enviou milhões de discos, fitas, CDs e DVDs de armazéns em Indiana e outros locais vai parar de operar após setembro. A trajetória, de um experimento de 1955 da Columbia Records até as mudanças de controle sob Sony, Time Warner, Blackstone, BMG, Direct Brands e Edge Line Ventures, mostra as oportunidades e os riscos do varejo direto ao consumidor em uma era transformada pela tecnologia digital. O fechamento encerra um dos últimos resquícios da era dos clubes de música e cinema por correio.