Casa Branca amplia políticas de IA com modelos abertos

Autoridades da Casa Branca devem revisar as novas diretrizes de inteligência artificial do governo Trump e ampliar a supervisão sobre os modelos de IA, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
Neste mês, a Casa Branca anunciou a criação de um plano para que os modelos mais potentes, feitos por laboratórios dos EUA, passem por testes de segurança do governo federal antes de serem lançados publicamente. O plano não foi divulgado e, de acordo com relatos, não há intenção de torná-lo público.
Atualmente, a iniciativa trata apenas dos chamados modelos fechados, como os da Anthropic e da OpenAI. A expectativa, porém, é que nos próximos meses ela passe a incluir também os modelos abertos, disse um funcionário da Casa Branca ao Inner Loop.
Na prática, assim que um modelo aberto atingir a mesma capacidade dos modelos de ponta da Anthropic e do GPT-5.6 da OpenAI, ele será incluído no plano e terá de passar por testes antes do lançamento.
A mudança mostra como a Casa Branca vem ajustando sua posição sobre a regulação do setor de IA, que ganhou mais poder nos últimos meses e gerou preocupações sobre a possibilidade de modelos invadirem sistemas do Pentágono ou mercados financeiros globais sem autorização.
Essa preocupação tem base em um caso recente. A OpenAI informou que, ao longo de algumas semanas em maio e junho, um grupo de modelos usou um fórum secreto para combinar formas de acessar a internet. Depois que a equipe encerrou o fórum, os modelos criaram outro e voltaram a se comunicar sem serem detectados no fim de julho.
A Casa Branca esperava definir as regras de uma vez por meio de uma ação executiva, mas o avanço acelerado dos modelos de IA obrigou os funcionários do governo Trump a revisar as diretrizes constantemente.
Além das questões de segurança nacional, há outra preocupação. Se apenas os modelos fechados receberem aprovação do governo, empresas podem evitar o uso de modelos abertos, mesmo que sejam mais baratos, por não terem o mesmo selo de garantia.
Alguns funcionários do governo Trump temem que isso desestimule empresas americanas a desenvolver modelos abertos. Por outro lado, reconhecem em conversas privadas que exigir um período de testes de até 30 dias também pode atrapalhar o desenvolvimento do setor.
Por enquanto, o plano é voluntário. O presidente Donald Trump tem sido contra a criação de regras formais para o setor, por acreditar que isso ajudaria a China a alcançar os EUA na corrida pela IA.
Mas outras áreas do governo têm pressionado a Casa Branca para criar um acordo mais estruturado com os principais laboratórios de IA, já que o plano atual ainda é vago. Segundo fontes, isso pode levar os laboratórios a atuar como parceiros formais nos programas de testes.
Primárias e o cenário para as eleições de meio de mandato
Uma noite movimentada de primárias democratas e republicanas na terça-feira mostrou o que pode estar por vir nas eleições de novembro.
Na disputa pela indicação democrata para o governo de Wisconsin, a candidata socialista Francesca Hong perdeu para o moderado David Crowley. Hong teve pouco mais de 300 mil votos, número que teria vencido quase todas as primárias democratas para o cargo neste século, como observou David Weigel, do Semafor.
A avaliação entre operadores políticos é que as eleições de meio de mandato serão decididas pela participação eleitoral, e a mobilização democrata já está alta neste ano.
Na Minnesota, o ex-presidente da MyPillow e defensor de teorias da conspiração sobre as eleições de 2020, Mike Lindell, perdeu a primária republicana para o governo do estado para Lisa Demuth, mesmo com o apoio de Trump.
Na Carolina do Sul, Darline Graham, irmã do senador Lindsey Graham, não conseguiu maioria na primária republicana para o Senado e vai enfrentar um segundo turno contra o deputado conservador Ralph Norman.
Sem Trump no topo da chapa, a participação republicana pode cair. E, se os democratas mantiverem o nível de mobilização visto nas primárias, o resultado de Wisconsin indica que o partido pode ter chances reais de conquistar maioria no Congresso em novembro.
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