Câmeras ALPR: 120 mil Flock vigiam EUA

Disputa em torno das câmeras Flock e outros leitores automáticos de placas
Mais de 120 mil câmeras da Flock, equipadas com leitores automáticos de placas (ALPR), estão instaladas nos Estados Unidos. Esses dispositivos usam inteligência artificial para identificar e rastrear veículos com base no número da placa, marca, modelo, cor e outras informações. As câmeras são conectadas em rede e conseguem monitorar a movimentação de veículos e pessoas ao longo do dia em todo o país.
Diversas comunidades já cancelaram contratos ou desligaram as câmeras, incluindo a cidade de Los Angeles. Autoridades locais pressionam por limites sobre os dados coletados, quem pode acessá-los e como podem ser usados no futuro. No início do ano, a Ring, empresa pertencente à Amazon, encerrou uma parceria com a Flock após críticas públicas.
Mudanças após casos de abuso policial
A Flock anunciou atualizações no sistema após relatos de policiais usando as ferramentas para perseguir ex-parceiros românticos. O CEO da empresa, Garrett Langley, admitiu erros e disse ter mudado de opinião sobre a responsabilidade da companhia no uso das ferramentas pela polícia.
Nas próximas semanas, a Flock vai implementar um recurso chamado Audit Assistance, que identifica comportamentos de busca anormais e bloqueia usuários suspeitos até que um administrador revise a atividade. Também será obrigatório inserir códigos de caso para fazer buscas, o que deve limitar consultas para fins pessoais. Em situações de emergência, como o rastreamento de uma criança desaparecida, um administrador pode liberar o acesso, mas essas ações serão marcadas automaticamente para revisão.
Incidentes envolvendo as câmeras
Na Califórnia, um candidato a deputado federal no Tennessee foi acusado de vandalismo por atirar em câmeras da Flock. O suspeito admitiu ter danificado os equipamentos durante uma semana em julho.
Em Minnesota, um jornalista do site The Drive relatou ter sido rastreado pelas câmeras da Flock após um alerta de placas roubadas que não eram roubadas. A polícia o abordou no local. A Flock afirmou que as câmeras funcionaram corretamente no caso.
A polícia de Los Angeles suspendeu o uso das câmeras da Flock após o término de um contrato de três anos. A corporação informou que negocia um novo acordo com termos claros sobre a propriedade dos dados coletados e o que será feito com eles.
Críticas e fim de parceria com a Ring
A Flock também enfrentou críticas por tentar impedir discussões públicas sobre sua tecnologia. Um grupo de palestras em Newport Beach, na Califórnia, publicou uma carta que dizia ter recebido da empresa pedindo o fim de conversas sobre vigilância. A Flock negou que estivesse ameaçando pessoas por debaterem o assunto.
Relatos mostram que mais de uma dúzia de policiais nos EUA usaram as câmeras para perseguir vítimas ilegalmente. A Flock disse ter conhecimento de 15 incidentes e afirmou que eles foram identificados por recursos de transparência da plataforma. No entanto, algumas vítimas só descobriram o monitoramento por meio do site HaveIBeenFlocked.com, que a empresa tentou tirar do ar.
A Ring cancelou a integração com a Flock após a repercussão negativa. A empresa afirmou que a parceria exigiria mais tempo e recursos do que o previsto e que nenhum vídeo de clientes foi enviado à Flock.
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