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Boa Safra projeta recuperação após ano ruim

Marino Colpo não disfarça sua avaliação. O empresário e fundador da Boa Safra resume o desempenho da empresa no ano passado como um resultado decepcionante. A sementeira, mesmo com crescimento nas vendas, enfrentou problemas com excesso de estoques de sementes, o que levou a um desempenho considerad

Por WTW19 · · 2 min de leitura

Marino Colpo não disfarça sua avaliação. O empresário e fundador da Boa Safra resume o desempenho da empresa no ano passado como um resultado decepcionante. A sementeira, mesmo com crescimento nas vendas, enfrentou problemas com excesso de estoques de sementes, o que levou a um desempenho considerado fraco.

No balanço recém-divulgado, a Boa Safra registrou uma forte redução em suas margens. No último trimestre do ano, período que responde por mais de 45% da receita, a margem Ebitda ajustada ficou em apenas 5%. No mesmo período do ano anterior, esse indicador havia sido de 14%.

O resultado ruim do quarto trimestre afetou o ano todo. Em 2025, o Ebitda ajustado da companhia recuou 16%, atingindo R$ 154 milhões. Com isso, a margem Ebitda ajustada anual caiu de 10% para 6%.

Os estoques elevados de soja prejudicaram as vendas. Hábito da Boa Safra é comercializar 80% de sua capacidade de beneficiamento na forma de sementes. Neste período, essa taxa ficou em 76%, com a parte restante sendo vendida como grão, o que pressionou as margens para baixo.

Marino Colpo reconheceu que o desempenho ficou abaixo do esperado. Ele admitiu que os números estão bem aquém das estimativas iniciais da própria empresa e das projeções dos analistas do mercado.

Antes da piora no mercado de sementes, as projeções para a receita da Boa Safra chegavam a R$ 3 bilhões. Essas previsões, porém, foram sendo reduzidas nos últimos meses. Bancos como BTG Pactual e Itaú BBA retiraram a recomendação de compra para as ações da empresa.

Nesta segunda-feira, o Bradesco BBI também retirou a recomendação para as ações da sementeira. Em relatório do analista Henrique Brustolin, o banco avaliou que a Boa Safra deixou de ser um negócio de crescimento. A instituição destacou ainda a mudança no perfil da companhia, que se tornou um negócio mais intensivo em capital.

A Boa Safra é considerada uma empresa asset light, por não ter ativos como terras próprias, algo comum no setor. Contudo, ela depende da oferta de crédito para financiar seus clientes.

Segundo a análise do Bradesco BBI, a expectativa inicial era de que a capacidade de oferecer prazos a revendas e agricultores ajudaria a obter melhores margens, com os clientes dispostos a pagar um preço maior. No entanto, a concessão de crédito pela Boa Safra acabou se transformando em uma ferramenta para assegurar o volume total de vendas, em vez de melhorar a rentabilidade.

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