Ben Smith: Ética no jornalismo e a nova mídia

O editor-chefe do Semafor, Ben Smith, afirmou que a empresa de mídia que ele cofundou em 2022 se transformou em um modelo de negócio “anti-escala”. Em entrevista ao podcast Decoder, do The Verge, Smith explicou que a empresa, que ainda não adota paywall em seu site, obtém cerca de metade de sua receita por meio de eventos e convenções.
Smith, que anteriormente comandou o BuzzFeed News durante o auge do tráfego vindo do Facebook, disse que a nova abordagem é uma reação ao período em que empresas de mídia digital dependiam do volume de acessos gerado por plataformas sociais. “A plataforma vai nos entregar muito tráfego e a gente coleta centavos”, disse, ironizando a tese que guiou o setor na década passada. Ele afirma que a meta agora é construir um negócio lucrativo, algo que considera raro no jornalismo digital atual.
Durante a conversa, Smith foi questionado sobre como o Semafor lida com conflitos éticos, especialmente ao colocar fontes e personalidades cobertas pela redação em conselhos consultivos de suas conferências. Ele também comentou sobre a estratégia da empresa em relação ao uso de inteligência artificial nas redações e sobre a confiança do público na mídia tradicional.
O editor-chefe disse que o Semafor busca alcançar líderes políticos, empresariais e do terceiro setor, utilizando diferentes formatos como e-mail, web e vídeo. Ele reconheceu que a distribuição de conteúdo exerce uma “força” sobre o que é produzido, mas afirmou que a empresa tenta resistir à tentação de criar conteúdo polarizador apenas para ganhar alcance.
Smith também comentou a declaração de Jonah Peretti, fundador do BuzzFeed, sobre ter recebido pagamentos do Facebook por conteúdo. Para Smith, o acordo funcionou por um período, mas era previsível que a plataforma não sustentaria esse modelo de financiamento para sempre.