Trump eleva taxa do visto H-1B preferido da tecnologia

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos anunciou na segunda-feira a implementação de uma taxa de mais de US$ 103 mil para vistos H-1B, usados por empresas de tecnologia para contratar trabalhadores estrangeiros qualificados. No mesmo dia, o Departamento de Estado revelou planos de revogar os vistos de até 200 mil solicitantes de asilo, o que, segundo a Associated Press, seria a maior revogação em massa de vistos da história americana.
Mais de um ano após o início do segundo mandato do presidente Donald Trump, a administração pressiona imigrantes legais a deixarem o país voluntariamente, impondo multas civis e ameaçando confiscar bens. A medida cria obstáculos legais tanto para novos imigrantes quanto para aqueles que já vivem nos Estados Unidos.
Os vistos H-1B são associados a grandes empresas de tecnologia, como Amazon, Meta e Microsoft, as três maiores empregadoras de trabalhadores com esse tipo de visto. Em junho, um juiz federal derrubou uma tentativa anterior de aumentar o custo desses vistos, mas mais de 70 empregadores já haviam pago a taxa de US$ 100 mil. Agora, o governo quer elevar o valor para US$ 103.265.
Há preocupação de que a administração também passe a cobrar uma taxa de US$ 100 mil para o programa de Treinamento Prático Opcional (OPT), que permite que estudantes internacionais trabalhem em suas áreas de estudo por até 12 meses, com possibilidade de extensão para alunos de áreas STEM.
Todd Schulte, presidente da FWD.us, organização de reforma migratória fundada por Mark Zuckerberg, classificou a medida como ilegal. Segundo ele, o objetivo é eliminar os programas OPT e H-1B, o que teria consequências devastadoras para empresas e trabalhadores.
O aumento anterior das taxas agravou a escassez de mão de obra em hospitais rurais e escolas públicas no Alasca, que dependem de trabalhadores imigrantes qualificados. Para essas comunidades, o custo adicional é um problema maior do que para grandes corporações.
O Departamento de Estado planeja rescindir até 200 mil vistos de negócios e turismo emitidos entre 2016 e 2026 para pessoas que solicitaram asilo após chegar aos EUA. A medida é apresentada como uma forma de fechar uma brecha no sistema de asilo, mas os solicitantes não descumpriram leis, já que é necessário estar em solo americano para pedir asilo.
Especialistas afirmam que a revogação dos vistos faz parte de um esforço do governo para desmontar o sistema humanitário de imigração. As admissões de refugiados caíram para níveis recordes, e a administração prioriza a realocação de sul-africanos brancos enquanto nega quase todos os outros pedidos.
Com as novas medidas, o governo Trump demonstra que só aceita imigrantes que se enquadram em um perfil específico ou que tenham condições de pagar valores elevados para trabalhar no país.
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