Tim O'Reilly: IA aberta, não labs gigantes

Tim O’Reilly, editor e investidor conhecido do Vale do Silício, afirma que os grandes laboratórios de inteligência artificial estão errando ao não entender o que as pessoas realmente desejam. Para ele, a aposta em modelos cada vez maiores e mais poderosos não é o caminho para a maioria dos usuários.
O’Reilly defende que o futuro da tecnologia passa pelo desenvolvimento de IA de código aberto. Ele argumenta que as grandes empresas de tecnologia estão criando sistemas de controle, em vez de permitir que designers e usuários tenham liberdade para inovar. A comparação que ele faz é com a Microsoft dos anos 1990, que tentava prender os usuários em seus produtos.
Na visão do publisher, os modelos de fronteira, como os desenvolvidos pela Anthropic e OpenAI, são otimizados para casos de uso muito específicos. Enquanto isso, modelos menores e mais acessíveis poderiam ser difundidos pela sociedade, gerando mais inovação. Ele cita o exemplo da China, que poderia superar os Estados Unidos justamente por ter modelos menores e mais espalhados.
O’Reilly também rebate a preocupação com a segurança de sistemas abertos. Ele lembra que os incidentes de segurança cibernética conhecidos vieram dos modelos de fronteira. Para ele, o risco de uso indevido é um argumento para desacelerar o desenvolvimento desses modelos gigantes, e não para restringir o acesso a versões abertas.
O editor compara o momento atual da IA com o início da web. Na década de 1990, enquanto todos disputavam o mercado de PCs, a internet surgiu e mudou tudo. Ele acredita que a verdadeira revolução da IA virá de uma fermentação de inovações que não depende do dinheiro do capital de risco, assim como aconteceu com a web.
A relação de O’Reilly com a IA é prática. Ele usa a ferramenta para brainstorming e para tarefas de escrita funcional. Ele vê a IA como um novo meio criativo, comparável à escrita ou à pintura. “Quando eu falo com uma IA ou desenho arte com ela, eu obtenho algo diferente do que você obtém, da mesma forma que Michelangelo e Van Gogh obtiveram coisas completamente diferentes da tinta”, afirma.
Ele reconhece que a indústria do livro, que foi a base de seu império editorial, está em declínio há anos. A receita da sua empresa caiu de US$ 70 milhões para US$ 30 milhões. No entanto, ele vê na IA uma ferramenta para ajudar a compensar pessoas que compartilham conhecimento, que é o negócio fundamental da sua companhia.
O publisher também critica o modelo de negócios do Vale do Silício. Ele afirma que a região se tornou “anticapitalista” ao permitir que investidores escolham os vencedores, em vez do mercado. Como exemplo, ele cita as empresas Uber e Lyft, que gastaram bilhões em subsídios para dominar o setor, com dinheiro de fundos de venture capital.
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