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Supercomputador acerta semifinalistas da Copa 2026

Por WTW19 · · 3 min de leitura
Supercomputador acerta semifinalistas da Copa 2026
Copa do Mundo 2026: como supercomputadores 'preveem' resultados de jogos — Foto: Reprodução

Antes do apito inicial da Copa do Mundo de 2026, o supercomputador da empresa britânica Opta previu que Espanha, França, Inglaterra e Argentina ocupariam as quatro primeiras posições no torneio. Coincidentemente ou não, foram justamente essas quatro seleções que chegaram às semifinais. A previsão não veio de uma bola de cristal, mas de milhares de simulações alimentadas por um volume gigantesco de dados e executadas por um tipo de computador muito mais potente do que aquele que temos em casa.

"Supermáquinas" como as da Opta são capazes de processar enormes volumes de informações em poucos segundos, simulando inúmeros cenários simultaneamente para calcular probabilidades e estimar quem provavelmente vencerá uma partida.

O ímpeto de prever resultados esportivos é mais antigo do que computadores. Segundo o livro “The Business of Sports Betting”, registros históricos indicam que civilizações como a egípcia, a grega e a romana já apostavam em competições esportivas há milhares de anos. Atualmente, antecipar o desfecho de uma partida deixou de depender apenas da intuição dos apostadores, mas também de estatísticas. Cada passe, finalização ou desarme é registrado e disponibilizado online.

São esses dados que tornam as previsões possíveis. Em vez de adivinhar quem será o campeão, os supercomputadores analisam milhões de informações — como desempenho recente, histórico de confrontos, lesões e suspensões —, calculam as probabilidades de cada confronto e simulam o torneio repetidas vezes.

Os supercomputadores não nasceram para prever campeões do futebol. O CDC 6600, considerado por muitos o primeiro supercomputador, foi desenvolvido em 1964 para resolver problemas científicos complexos, como simulações nucleares e previsões meteorológicas. Seis décadas depois, a mesma lógica passou a ser empregada também no esporte.

Foi nesse contexto que surgiu o Opta Supercomputer, da empresa britânica Opta Sports. O sistema combina inteligência artificial, modelos estatísticos e um extenso banco de dados. Pesquisadores da Universidade de Liverpool também utilizam um supercomputador para simular Copas do Mundo. No Brasil, o Grupo de Probabilidades no Futebol da UFMG calcula, desde 2004, as chances de título, classificação e rebaixamento de equipes.

Antes do início da Copa de 2026, o supercomputador da Opta simulou o torneio 25 mil vezes. A Espanha foi campeã em 16,1% desses cenários, seguida por França, com 13%, Inglaterra, com 11,2%, e Argentina, com 10,4%. À medida que a Copa avançou, o modelo incorporou os resultados e refez as simulações. Depois das quartas de final, a França passou a ser apontada como a principal favorita, com 34% de probabilidade.

Um computador doméstico levaria muito mais tempo para executar esse trabalho. Os supercomputadores distribuem os cálculos entre milhares de processadores trabalhando em paralelo. O El Capitan, supercomputador estadunidense lançado em 2024, reúne mais de 11 mil unidades de processamento, cerca de 1,1 milhão de núcleos de CPU e 46 mil GPUs.

Previsões esportivas trabalham com probabilidades, que não são sinônimos de certezas. A história do esporte está repleta de exemplos em que o improvável aconteceu. No Campeonato Brasileiro de 2009, modelos matemáticos atribuíram ao Fluminense cerca de 99% de chance de rebaixamento. O clube protagonizou uma arrancada histórica nas rodadas finais e permaneceu na Série A. Algo semelhante ocorreu no Brasileirão de 2023: o Botafogo aparecia como amplo favorito ao título, enquanto o Palmeiras tinha pouco mais de 6% de probabilidade de ser campeão. A equipe paulista ultrapassou os concorrentes e terminou a temporada com a taça.

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