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Excesso de telas nas férias: riscos à saúde infantil

Por WTW19 · · 3 min de leitura
Excesso de telas nas férias: riscos à saúde infantil
TechTudo mostra os perigos do excesso de tela à saúde das crianças durante o período de férias — Foto: Reprodução/magnific.com

O uso de telas faz parte da rotina de muitas crianças, mas o excesso pode trazer impactos para a saúde, como ansiedade, alterações de humor, redução do convívio social e outros prejuízos. Nas férias, o acesso à tecnologia merece ainda mais atenção. Longe da rotina escolar, que inclui atividades, brincadeiras e momentos de interação, muitas crianças passam a ter mais tempo livre em casa. Com isso, parte desse período pode acabar sendo ocupada por horas em frente ao computador, à TV e ao celular, assistindo a vídeos, séries, filmes ou jogando.

Para entender melhor o impacto das telas na infância, o conteúdo do TechTudo reúne orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria e conta com a contribuição das pediatras Silvia Nigro e Lucila Faria, do Hospital Sírio-Libanês.

É natural que o tempo de tela das crianças aumente durante as férias. Com a pausa das aulas, elas passam mais tempo em casa e deixam de seguir a rotina escolar. Quando os pais ou responsáveis precisam trabalhar e não conseguem acompanhar os filhos durante todo o dia, celulares, tablets, televisores e videogames acabam ocupando parte desse tempo livre. A falta de uma rotina estruturada e o tédio comum nesse período podem favorecer o uso excessivo dos dispositivos.

O uso excessivo de telas pode causar distúrbios do sono, ansiedade, depressão, alterações de humor e dificuldades nas interações sociais. Também pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo e o desempenho escolar. Essas conclusões fazem parte da revisão integrativa "Saúde mental: os riscos em crianças e adolescentes pelo uso excessivo de telas", publicada em 2024.

Segundo a pediatra Silvia Nigro, o problema surge quando o tempo de tela substitui experiências fundamentais para o desenvolvimento, como brincar, praticar atividade física e conviver com outras pessoas. A luz azul emitida por celulares, tablets e computadores reduz a produção de melatonina, hormônio que regula o ciclo do sono. A recomendação da pediatra Lucila Faria é desligar as telas pelo menos uma hora antes de dormir.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) estabelece limites de exposição às telas conforme a idade. Até 2 anos, deve-se evitar a exposição. De 2 a 5 anos, o limite é de 1 hora por dia. De 6 a 10 anos, entre 1 e 2 horas por dia. De 11 a 18 anos, o limite é de 2 ou 3 horas por dia. Um levantamento da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal mostrou que 78% das crianças de 0 a 3 anos têm contato diário com telas. Entre 4 e 6 anos, o índice chega a 94%.

A SBP recomenda estabelecer momentos de desconexão e convivência familiar. Outra orientação é evitar o uso de telas durante as refeições e não permitir que crianças e adolescentes fiquem isolados nos quartos com dispositivos eletrônicos. A entidade também recomenda criar regras para o uso de aparelhos e aplicativos digitais, com medidas de segurança.

Entre os sinais de alerta estão a dificuldade para se autorregular após interromper o uso das telas, alterações na rotina de sono, queda no rendimento escolar e redução da vontade de participar de atividades presenciais. Para reduzir o tempo de tela, as pediatras recomendam criar uma rotina equilibrada, com espaço para atividades físicas, passeios e momentos de interação em família.

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