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quinta-feira, 27 de agosto de 2026Ao vivo
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Deepfakes de professores: o pesadelo nas escolas

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Deepfakes de professores: o pesadelo nas escolas
PHOTO-ILLUSTRATION: WIRED STAFF; GETTY IMAGES

O professor substituto Luis DeSantiago, que atua em Los Banos, na Califórnia, recebeu mensagens de texto no dia 12 de março enquanto trabalhava em um café. Uma colega de trabalho avisou que uma foto gerada por inteligência artificial (IA) circulava nas redes sociais. A imagem, que lembrava uma selfie que DeSantiago tirou em um antigo emprego, mostrava o professor vestindo lingerie e fazendo pose sugestiva.

DeSantiago identificou um possível autor da imagem: um aluno da escola de ensino fundamental onde costumava dar aulas. Ele relatou o caso à direção da escola, que prometeu resolver a situação. Porém, a foto continuou sendo compartilhada, inclusive no Snapchat, e outros alunos passaram a publicá-la. Um estudante admitiu ter criado a imagem e recebeu suspensão dentro da escola.

O professor decidiu não voltar àquela unidade até o caso ser resolvido. Em outra escola, durante uma aula, recebeu por AirDrop a mesma imagem gerada por IA, o que indicava que ela ainda circulava entre os alunos. DeSantiago afirma que não se sente seguro para retornar ao distrito escolar este ano.

Outros casos de professores vítimas de deepfakes

Uma professora do ensino fundamental, que preferiu não se identificar, contou que alunos encontraram fotos públicas de uma colega de 60 anos, manipularam as imagens para simular atos sexuais e compartilharam em um grupo no Snapchat. Em outra ocasião, a mesma professora descobriu uma conta no TikTok que usava seu rosto em vídeos gerados por IA. As gravações mostravam a professora falando sobre atos sexuais, com a boca se movendo de forma artificial e a voz distorcida.

A professora relatou o caso à direção da escola. Alunos avisaram que a conta era de um colega com problemas de comportamento. A conta foi removida do TikTok após denúncias. O mesmo estudante passou a assediar a professora pessoalmente, com xingamentos, e também criou conteúdos falsos com a imagem de outros professores. O aluno foi retirado da sala de aula e, depois de um tempo, deixou o distrito.

Especialistas ouvidos explicam que a criação e o compartilhamento de imagens íntimas falsas de professores podem ser enquadrados como assédio sexual no ambiente de trabalho. A lei federal americana, como a Take It Down Act, prevê punição para a publicação de imagens íntimas não consensuais, sejam elas reais ou geradas por computador. As escolas têm a obrigação de criar um ambiente seguro para os professores, mas não existe um protocolo único para lidar com esses casos.

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