sexta-feira, 19 de junho de 2026Ao vivo
Notícias

Crimson Desert em 2026: vale a pena após atualizações?

Crimson Desert é o novo jogo de ação e exploração com elementos de RPG da desenvolvedora coreana Pearl Abyss. Anunciado inicialmente como um sucessor espiritual de Black Desert, o título chegou no dia 19 de março de 2026 cercado de expectativa, mas também de controvérsias. Logo no lançamento, dividi

Por WTW19 · · 8 min de leitura
Crimson Desert em 2026: vale a pena após atualizações?

Crimson Desert é o novo jogo de ação e exploração com elementos de RPG da desenvolvedora coreana Pearl Abyss. Anunciado inicialmente como um sucessor espiritual de Black Desert, o título chegou no dia 19 de março de 2026 cercado de expectativa, mas também de controvérsias. Logo no lançamento, dividiu opiniões de crítica e público, principalmente por conta de um enredo fraco e problemas de gameplay.

Entre os problemas citados estavam a ausência de um baú para armazenar itens, desempenho abaixo do esperado e comandos pouco intuitivos. Ainda assim, a desenvolvedora não baixou a guarda. Com o passar das semanas, diversas atualizações foram lançadas para corrigir os principais problemas apontados pela comunidade, o que melhorou bastante a experiência.

No fim das contas, o jogo encontrou seu ponto forte naquilo que faz de melhor: a exploração. A pergunta que fica é se, mesmo após mais de um mês de atualizações, os problemas iniciais ainda pesam. O TechTudo jogou por mais de 100 horas para avaliar se vale a pena embarcar na jornada de Kliff e dos Jubas Cinzentas.

Vale a pena jogar?

Quando comecei a jogar Crimson Desert no lançamento, a primeira impressão não foi das melhores. O jogo demora a engrenar, e a primeira meia hora é especialmente confusa. Os puzzles, que deveriam funcionar como tutoriais, são pouco intuitivos, e algumas missões simplesmente não explicam o que deve ser feito.

Um exemplo claro é a missão “Colina Agitada”, que acabou travando muitos jogadores em um objetivo relativamente simples. A história também deixa a desejar. Kliff é um protagonista pouco carismático, com um enredo que não prende. Ele fala pouco e passa a sensação de ter sido afetado pelas mudanças de direção no desenvolvimento do jogo.

Segundo relatos e vazamentos, Crimson Desert começou como um projeto online antes de migrar para uma experiência single-player, e isso parece ter impactado diretamente a narrativa. Outro ponto que incomoda é a troca de personagens durante a campanha. A partir de certo momento, é possível controlar figuras como Damiane e Oongka, mas esses personagens não têm desenvolvimento nem carisma.

Esses problemas dificilmente serão corrigidos, já que exigiriam uma reformulação completa do roteiro. A sensação é de que a ambição do projeto acabou atrapalhando a construção de uma narrativa mais coesa. Por outro lado, quando você aceita que a história não é o ponto forte e passa a focar na exploração, o jogo revela seu verdadeiro potencial.

Foi exatamente isso que aconteceu comigo após cerca de 15 horas. A partir daí, Crimson Desert se transforma em uma experiência muito mais interessante. O sistema de progressão é um dos destaques. Evoluir a árvore de habilidades de Kliff é recompensador e permite diferentes estilos de jogo.

Eu optei por focar em espadas longas, mas há espaço para abordagens bem variadas, incluindo combate corpo a corpo com artes marciais. O tamanho do jogo também impressiona. O mapa é gigantesco, com inúmeras possibilidades de exploração. Passei cerca de 40 horas apenas na primeira região e ainda estou longe de chegar à área desértica que dá nome ao título.

Mesmo com falhas claras, Crimson Desert é um jogaço. Pode assustar no início, mas recompensa quem insiste. É, sem dúvida, um dos grandes títulos de 2026.

Problemas na narrativa

A história de Crimson Desert é contraditória. O game se passa em Pywel e acompanha Kliff, líder dos Jubas Cinzentas, um grupo de mercenários tentando sobreviver em um mundo em colapso. Logo no início, fica evidente que há forças interessadas na queda da facção, mas as motivações são pouco claras.

Após ser derrotado em batalha, Kliff reaparece ligado ao Abismo, uma entidade misteriosa com influência sobre os eventos do mundo. A ideia é interessante, mas pouco desenvolvida. O início da campanha é confuso, com missões mal explicadas e transições pouco naturais.

No meio da jornada, a história ganha um pouco mais de clareza, mas nunca chega a se destacar. Já nos capítulos finais, perde força novamente, com reviravoltas previsíveis. No fim, fica claro que a narrativa não é o principal atrativo do jogo.

Exploração como ponto forte

Crimson Desert é gigantesco. O mapa é amplo, dividido em várias regiões, e cada uma apresenta suas próprias particularidades. Hernand, por exemplo, funciona como a área inicial. Mas basta avançar um pouco ao norte para encontrar regiões extremamente frias, que exigem preparo mínimo.

Esse tipo de mecânica aparece logo nas primeiras horas. O problema é que o jogo explica pouco, e isso não se limita ao sistema de temperatura. Apesar da exploração ser um dos pontos mais interessantes, fica a sensação de que Crimson Desert tenta abraçar muita coisa, mas não se preocupa em explicar bem elementos básicos.

O sistema de alimentação é um bom exemplo. Ter comida durante batalhas contra chefes é importante, mas quem começa do zero pode demorar para entender. A árvore de habilidades segue essa mesma linha. Ela é interessante e oferece diversas possibilidades, divididas entre poderes místicos, evolução de vida e atributos ligados ao combate.

Essa mistura de referências também aparece na exploração, que depende bastante de puzzles. A ideia funciona, mas a execução deixa a desejar em alguns momentos. O primeiro puzzle, ainda no tutorial, chegou a travar muita gente, não pela dificuldade, mas pela falta de responsividade.

O jogo tem muitos comandos, o que acaba prejudicando a resposta dos controles em certas situações, especialmente nos puzzles. A Pearl Abyss já vem trabalhando em melhorias, mas ainda é algo perceptível. No geral, os puzzles cumprem seu papel, mas variam bastante.

Gráficos e ambientação

Quando o assunto é ambientação, Crimson Desert impressiona. O jogo entrega alguns dos cenários mais bonitos da geração, o que explica as comparações com Red Dead Redemption 2. Ambos apostam em mundos vivos, detalhados e que incentivam a exploração sem pressa.

Mesmo com a diferença de tempo entre os lançamentos, Crimson Desert se destaca pelo nível de fidelidade gráfica. A água, por exemplo, chama atenção com facilidade. No geral, é um mundo muito bonito e vivo. Esse cuidado fica ainda mais evidente nos pontos mais altos do mapa.

As montarias também têm papel essencial na exploração. O mapa é grande o suficiente para tornar inviável percorrer tudo a pé, então encontrar cavalos lendários e outros animais se torna fundamental. Além disso, há pontos de teletransporte espalhados pelo mundo.

Mas é justamente nas montarias que entra uma ressalva importante. Diferente do que acontece em Red Dead Redemption 2, aqui não existe um vínculo real com o animal. Os cavalos cumprem bem a função mecânica, facilitando o deslocamento, mas param por aí. Falta identidade.

Combate e progressão

O combate, no início, foi um pouco confuso. Existem movimentos e combos que você precisa aprender com o tempo. Conforme você passa a entender melhor a árvore de habilidades e começa a testar possibilidades, fica mais claro qual estilo de luta faz sentido.

A Pearl Abyss deixa evidente que quer que o jogador teste diferentes caminhos. Para isso, existem itens que permitem reiniciar a progressão do zero. Dentro da árvore de habilidades, há várias vertentes. No combate, por exemplo, é possível focar em arco e flecha, artes marciais, espadas longas ou curtas, além do atributo de vigor.

Já na parte mais mística entram habilidades ligadas à vida do personagem e poderes especiais. Um dos destaques é a “Força Axiom”, que permite deslocamentos rápidos e dinâmicos. Outro sistema importante é o de espírito, que também é um dos menos explicados. Ele permite executar ações específicas, como esquivas no tempo certo.

Mesmo com pouca explicação, o sistema de espírito segue a mesma lógica geral do jogo: testar e aprender na prática. E isso fica ainda mais evidente nas batalhas contra chefes. Existem várias formas de lidar com os inimigos, seja explorando brechas, aplicando efeitos ou simplesmente ajustando o estilo de combate.

Falando em armas, algumas acabam sendo essenciais ao longo da jornada. Logo no início, as armas possuem níveis e podem evoluir até o nível 10. Para isso, é necessário levá-las a um ferreiro e investir materiais obtidos por exploração. Com o tempo, itens básicos deixam de ser suficientes e você passa a depender de recursos mais raros.

Esse sistema acompanha bem a progressão. Muitos desses materiais aparecem apenas em regiões mais avançadas. Além da parte física, há também uma camada mística. As Bruxas permitem adicionar modificadores especiais aos equipamentos. Para liberar todo o potencial delas, é preciso completar missões específicas.

Esse sistema não se limita às armas. Armaduras, luvas e botas seguem a mesma lógica. Com as Bruxas, é possível criar encaixes nesses itens e inserir orbes com habilidades especiais. Esses orbes podem ser obtidas de várias formas, como em missões, derrotando chefes ou explorando o mapa.

Atualizações e pontos a melhorar

Crimson Desert chegou com muitos problemas, o que culminou em uma nota mediana de crítica e público. O maior trunfo foi a desenvolvedora não abandonar o barco e abraçar a comunidade. Com o tempo, novas montarias e um baú para guardar os itens do game foram adicionados.

O nível de dificuldade dos chefes foi revisto e uma série de adições voltadas para desempenho, gráficos e câmeras foram realizadas. Esse ponto era muito importante. Joguei em um PS5 Pro e, mesmo assim, tive problemas com quedas de FPS em algumas batalhas. Já no PS5 base existiam relatos de crashes. A maioria foi resolvido.

Mesmo assim, ainda existem pontos de atenção, principalmente na iluminação. Em horários como o meio-dia, o jogo é visualmente impressionante. Porém, ao amanhecer ou entardecer, os cenários perdem vivacidade. À noite, a escuridão é intensa, mas a iluminação artificial deixa a desejar, prejudicando as texturas.

É um aspecto que ainda precisa de ajustes, mas considerando o histórico recente da Pearl Abyss, não seria surpresa ver melhorias futuras nesse sentido.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X