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A Odisseia: 1º filme 100% em IMAX 70mm

Por WTW19 · · 5 min de leitura
A Odisseia: 1º filme 100% em IMAX 70mm
Nova geração de câmeras analógicas IMAX de 65 milímetros executa a captação integral de todas as cenas da produção — Foto: Divulgação / Instagram

O novo filme de Christopher Nolan, A Odisseia, tornou-se o primeiro longa-metragem da história a ser rodado inteiramente com câmeras IMAX de película de 70 mm. O feito é inédito porque, até então, o equipamento era pesado e barulhento demais para cenas com diálogo, o que limitava seu uso a sequências específicas. Uma nova geração de câmeras, mais leves e silenciosas, e soluções de engenharia como um invólucro para abafar o ruído, tornaram possível a filmagem completa nesse formato.

A produção utilizou mais de dois milhões de pés de película, cerca de 640 quilômetros de filme. Com o custo de aproximadamente US$ 1,50 por pé do negativo de 65 mm da Kodak, só a película consumiu perto de US$ 3 milhões. O orçamento total do filme é estimado em US$ 250 milhões.

O interesse pelo formato foi tão grande que sessões em IMAX 70 mm esgotaram com um ano de antecedência. Ingressos para sessões selecionadas foram colocados à venda em julho de 2025, e várias esgotaram nas primeiras horas, movimento incomum para um grande estúdio.

O que há de inédito nas novas câmeras IMAX

A IMAX desenvolveu uma nova geração de câmeras analógicas para atender às exigências de Nolan. As principais mudanças incluem redução de peso, menor nível de ruído durante a gravação, melhorias na estabilidade da imagem e mais facilidade para filmagens em locações complexas.

Para permitir cenas de diálogo, a equipe criou um invólucro que abafa o som da câmera, apelidado de "blimp". O equipamento pesa mais de 130 quilos e exigia várias pessoas para ser transportado, com carrinhos reforçados para sustentá-lo. Um sistema de espelhos ajudava os atores a manter o contato visual quando o equipamento bloqueava a linha de visão.

André Augusto Pires, especialista em eletrônica e tecnologia e fundador da Kallimagem, explica que as novas câmeras analógicas de grande formato utilizam negativos maiores, como 65 mm, capazes de registrar uma quantidade maior de informação e detalhamento visual do que o tradicional filme de 35 mm. Isso resulta em imagens com resolução elevada, maior alcance dinâmico e granulação reduzida.

Por que as câmeras antigas limitavam as filmagens

Os modelos anteriores eram pesados, volumosos e faziam muito barulho durante a captura. Esse conjunto de fatores dificultava gravações com diálogo e restringia o uso das câmeras a sequências específicas de ação ou paisagens. O ruído era o principal obstáculo. Segundo a CBS News, Matt Damon afirmou que cenas íntimas seriam impossíveis em IMAX até pouco tempo atrás, porque o barulho da câmera atrapalhava a captação da voz dos atores.

Há ainda uma limitação de tempo. Cada magazine de filme comporta entre dois minutos e meio e três minutos de gravação contínua, o que obriga recargas frequentes e pausas na cena antes de a filmagem recomeçar.

Luiz Afif, diretor de televisão e publicidade, lembra que as câmeras IMAX antigas faziam muito barulho. Quando se gravava em película com IMAX, geralmente era preciso dublar o áudio depois, com o próprio ator se dublando na pós-produção. As novas câmeras têm ruído quase zero, permitindo captar o áudio e gravar tudo de uma vez.

Como a parceria entre Nolan e a IMAX tornou essa evolução possível

Nolan trabalha com câmeras IMAX há mais de uma década e costuma pressionar por avanços no formato. Para A Odisseia, ele pediu à empresa que resolvesse as limitações do equipamento e colaborou no desenvolvimento das câmeras mais leves usadas na produção. O diretor descreveu o projeto como a realização de um desejo antigo, que nutria desde os 16 anos, quando já queria filmar uma obra inteira em IMAX. O obstáculo, segundo ele, sempre foi o som.

Para provar que a captação de voz era viável, o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema filmou um teste em close com uma criança recitando uma letra de música, o que convenceu Nolan a construir todo o filme em torno do formato.

O que muda para quem assistir ao filme em uma sala IMAX

O público poderá perceber imagens com maior resolução, mais detalhes, melhor aproveitamento da tela, enquadramentos mais amplos e maior sensação de imersão. O ganho é mais perceptível em salas equipadas para exibição em película de 70 mm ou com projeção digital compatível.

A película IMAX de 70 mm roda na horizontal, com 15 perfurações por quadro, o que a torna o maior e mais detalhado formato de filme em uso. Algumas sessões usam a proporção de tela de 1,43:1, que preenche mais o campo de visão. As câmeras registram a imagem em um negativo de 65 mm, enquanto as cópias exibidas nos cinemas usam película de 70 mm, cujos 5 milímetros adicionais abrigam a trilha sonora.

André Augusto Pires detalha que a projeção em 70 mm oferece uma área de imagem muito maior do que o padrão convencional, permitindo uma definição extremamente alta e mais realista, especialmente em telas gigantes. O espectador percebe maior nitidez, profundidade, textura e sensação de tridimensionalidade, mesmo sem utilizar óculos 3D.

Sinopse e elenco de A Odisseia

A Odisseia adapta o poema épico de Homero e acompanha Odisseu, rei de Ítaca, em sua longa e perigosa jornada de volta para casa após a Guerra de Troia. No caminho, ele enfrenta deuses e criaturas míticas, como o ciclope Polifemo, as sereias e a feiticeira Circe.

O elenco é encabeçado por Matt Damon como Odisseu, ao lado de Anne Hathaway como Penélope e Tom Holland no papel de Telêmaco, filho do protagonista. O grupo inclui ainda Zendaya, como a deusa Atena, Lupita Nyong'o, em papel duplo como Helena e Clitemnestra, além de Robert Pattinson, Charlize Theron, Jon Bernthal, Elliot Page, Himesh Patel e Benny Safdie. A produção tem cerca de 172 minutos de duração. A estreia no Brasil está marcada para 16 de julho de 2026.

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