Fazendas frigorificas: como são armazenados vacinas não distribuídas

Oxford/Astrazeneza, Coronavac, Sputnik V, Covaxin, Pfizer. Todos estes são nomes que costumamos ouvir nos noticiários a cerca de um ano. Com a chegada da pandemia, a maior expectativa da população mundial é de que a vacinação avance.

Atualmente, estamos em fase inicial de campanha vacinal e esbarramos em um problema tão importante quanto a falta destes imunizantes: as condições adversas para abrigá-los.

Preservação da vacina de Covid-19

Cada imunizante precisa de condições de temperatura e pressão diversas para garantir a validade. A Coronavac, vacina chinesa desenvolvida com o laboratório Sinovac BionTech, é armazenada em 8 ºC. Já a russa Sputnik V, feita a partir de estudos do Instituto Gamaleya, conta com uma temperatura de – 18ºC.

O mundo precisa contar com todos os imunizantes que forneçam resultados efetivos. Em razão disso, empresas do setor de refrigeração se mobilizam para garantir as melhores condições para estas doses. Desta forma, nascem as fazendas frigoríficas.

O que são fazendas frigoríficas?

Imagine instalações gigantescas, do tamanho de um campo de futebol, completamente tomadas por prateleiras e com temperatura congelante. Consegue visualizar? Esta é exatamente a visão interna de uma câmara frigorífica.

Locais assim são, geralmente, utilizados para guardar carnes e alimentos que perecem ou derretem. No entanto, a fazenda frigorífica não tem nada de fazenda, de fato. Nenhum animal paira pela região e não há plantações e muito menos gado.

A construção conta com corredores gélidos repletos por colunas de refrigeradores de quase 2 metros de altura. É deles que as remessas de vacinas serão enviadas para todo o mundo. Cada entreposto possui uma temperatura distinta para que os mais diversos laboratórios tenham espaço garantido.

Quem banca as fazendas frigoríficas?

Claro que manter tudo sob controle não é uma tarefa fácil. As fazendas são parte de um esforço global que parte de governos, empresas e organizações. Foram investidos bilhões de dólares desde quando o desenvolvimento dos imunizantes começou. Agora, muitas farmacêuticas despacham o produto para o local de modo a garantir uma distribuição segura e eficaz.

Hoje, as unidades de fazendas frigoríficas ficam nos Estados Unidos e Alemanha, bem próximas a Centros de Distribuição. Elas abrigam 600 freezers que tem capacidade máximas para 48 mil ampolas de vacinas, das mais frágeis as mais resistentes.

Existe fazenda frigorífica no Brasil?

Infelizmente, a resposta é não. No entanto, temos produção local do imunizante Coronavac pelo Instituto Butantan. Neste quesito, há armazenamento próprio. O País (até o presente momento) conta com a vacina da Sinovac e a de Oxford/Astrazeneca. A última não possui fabricação em território nacional.

Como a vacina viria de uma fazenda frigorífica para o Brasil?

Temos poucos casos do gênero, mas a título de curiosidade, o trajeto entre a vacina britânica (Oxford) e Goiânia, capital de Goiás, por exemplo, seguiria o seguinte padrão:

1. Lote do imunizante sai da fábrica/laboratório da farmacêutica e segue para a fazenda frigorífica mais próxima.

2. Equipamentos de refrigeração temporária garantem trajeto até Holanda (região mais próxima para loteamento).

3. Ampolas de vacina seriam armazenadas na temperatura correta até o momento da distribuição.

4. Avião equipado segue rota da Holanda ao Brasil.

5. Brasil recebe lotes através do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

6. Transportadoras irão encaminhar lotes até Goiânia, capital de Goiás.

7. Essas Transportadoras irão repassar doses aos Centros de Distribuição programados para cobertura vacinal.

Todas as vacinas precisam passa pelo congelamento?

Não, não é necessário. Porém, esta é uma forma de garantir que todas sejam compiladas em um só local que vai garantir refrigeração para as mais diversas necessidades.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que há cerca de 170 vacinas programadas para serem entregues contra a Covid-19. Nem todas precisam de temperaturas tão baixas para sobreviver.

A expectativa é que 70% delas tenham resultados publicados ainda no ano de 2021. Curtiu saber mais sobre o universo dos imunizantes? Se sim, continue nos acompanhando para mais curiosidades.